Categoria: Viagens
Brysa Mahaila viajou a Turquia com o objetivo de aperfeiçoar seus conhecimentos, sempre voltada ‘a cultura, dança e a música oriental.
Esteve em Istambul e demais cidades Turcas, visitando a Anatólia e região da Capadócia e Mar Egeu.
Entre pesquisas históricas, como o Museu das civilizações da Anatólia, Brysa conferiu de perto os vestígios das civilizações dos Hititas e os cultos pré-históricos da Deusa Mãe. A bailarina ficou emocionada ao se deparar com as esculturas encontradas dos cultos e rituais de fertilidade.
As riqueza histórica e cultural da Turquia contribuíram para as pesquisas da bailarina, que teve oportunidade de conferir os grupos folclóricos de diferentes regiões, onde os homens tem grande destaque na dança.
“Assisti a teatralização das cerimônias de casamento e algumas danças como a do jarro, onde as mulheres e homens dançam para celebrar as colheitas.Os homens demonstrar virilidade com saltos e acrobacias, enquanto as mulheres dançam com leveza e charme, destacando os movimentos de ombros e de mãos, muito delicados.” Narra Brysa, sobre a dança na Turquia.
Na Capadócia Brysa esteve no restaurante Uranos localizado dentro de uma rocha, onde assistiu danças e teve oportunidade de mostrar ao público presente o seu trabalho, sendo muito aplaudida pelo público e pelos músicos, que destacaram a sua graça e sensibilidade musical.
“Foi o lugar mais bonito que tive oportunidade de dançar. Olhar para aquelas pessoas me aplaudindo e me reverenciando foi um momento mágico, único, que jamais vou esquecer. Adorei os músicos, são maravilhosos!”
No final da viagem, Brysa realizou um show para convidados no Hotel de Kusadassi na Riviera Turca, local turístico de grande procura por Europeus de vários países.
Brysa também pesquisou o ritual dos Dervixes, visitando o Mosteiro de Mevlana em Konya, ficando imprecionada com a cerimônia dos monges Dervixes.
A viagem de férias da bailarina foram destinadas ao seu aperfeiçoamento cultural e histórico, sempre preocupada em trazer as alunas algo novo da cultura oriental.
“Os turcos vêem a dança do ventre apenas como um espetáculo de variedade. As bailarinas não se preocupam com a arte e a qualidade da dança, infelizmente lá a dança é vista como um show para divertir o público e não como uma arte de exaltação a sensibilidade e ao feminino.” Relata Brysa sobre os espetáculos de dança do ventre na Turquia.
A cultura turca vê a dança do ventre como uma forma de sedução desde o tempo dos Haréns. Aliás, no Palácio de Topkapi em Istambul, Brysa visitou o Harém e ficou maravilhada com o que viu, sentindo-se parte daquele mundo antigo.
“Foi maravilhoso entrar naqueles aposentos e sentir a energia dos quartos e salas ainda decorados, pensar que lá as mulheres viviam, dançavam e confraternizavam….se eram felizes, não sei, mas viviam muito bem.”
Brysa ficou duas semanas viajando pela Turquia, comemorando o seus 10 anos de dança, e trouxe muitas novidades na bagagem: Cds, fotos, livros e algumas técnicas do folclore turco.
Ao chegar ao Cairo, chama-nos a atenção o contraste entre o moderno e o antigo. Na saída do aeroporto percebe-se viadutos convivendo em harmonia com Esfinges e esculturas da época dos Faráos.
Para mim, o número “infinito” de Mesquitas ao longo do percurso foi o que mais me impressionou, além do barulho incessante das buzinas. O trânsito no Cairo é caótico para nós Ocidentais, mas os Egípcios parecem conviver com isso na maior “tranqüilidade”.
Na costa do Nilo existem muitos hotéis de luxo, e o Ramsés Hilton, onde fiquei hospedada é um deles. A escolha se deu, principalmente, pelo Festival Internacional do Cairo, que se realizou no Hotel.
A viagem foi centralizada na Dança Oriental Egípcia, portanto os passeios ficaram para os intervalos dos cursos. Durante uma semana o Hotel Ramsés Hilton e seus hóspedes, viveram uma experiência tão emocionante quanto para nós amantes da dança. Circularam aproximadamente 300 mulheres ocidentais (Belly Dancers) pelos corredores, restaurantes, piscina e demais dependências do Hotel. Mulheres de 23 países, entre elas, umas 80 brasileiras chamaram a atenção dos homens e também das mulheres que se impressionaram com o nosso comportamento, com nossa liberdade de vestir, sorrir e viver.
As mulheres do Cairo me chamaram muito a atenção pelo grande número de burkas ou véus muito grandes cobrindo seus corpos, cabeça e rosto. Me surpreendi que numa cidade grande e moderna, a religião seja ainda a grande influenciadora dos costumes.
Durante a semana do Festival, ocorreram muitos eventos, começando pelo Show de Abertura com estrelas como Dina e a nossa brasileira Soraia Zaied, entres outras. O desfile de roupas para Dança do Ventre da estilista egípcia Amira, também foi um deles. Foi uma experiência única e maravilhosa participar deste show. O convite foi feito pela Sahara Saeeda, que me conheceu no Brasil, quando esteve ministrando Workshop. Me senti uma star! Foram cinco entradas, cada uma com uma roupa mais bonita e luxuosa que a outra. Ficou até difícil escolher os modelos para adquirir depois do show, mas acho que fiz as escolhas certas. Todo o evento foi acompanhado por músicos ao vivo e apresentado ao público composto por celebridades. Entre elas: Raqia Hassan e Souher Zaki.
Após o desfile, saímos rapidamente, pois na mesma noite, tínhamos outro compromisso no Mariland, uma renomada casa noturna Egípcia. Lá, participei de um show ao vivo com o cantor Tony Mouzayek, meu grande amigo e companheiro de viagem. Aliás, os companheiros de viagem merecem uma menção especial neste relato.
Fui para o Cairo à convite do cantor Tony Mouzayek, que faz parte dos meus amigos mais queridos. Juntamente com o casal Leonel Consorte e Hayet Al Helwa, e um pequeno grupo da Academia Luxor de São Paulo…
Ainda sobre o Festival, destaco as aulas maravilhosas que participei com famosas e algumas nem tanto, e também professores homens, o que no Brasil é muito incomum nesta dança. O destaque entre eles foi o sr. Ibrahim Akef, tio da famosa bailarina Naina Akef. Ele é um excelente professor e passou muito da sua experiência como coreógrafo de grandes estrelas como Dina (atualmente a top).
Além das aulas clássicas, mergulhei no folclore egípcio dando destaque ao curso de Gawazy e Beduíno, que me emocionaram muito. Quem já tem experiência em workshops (e me incluo nesta categoria), sabe que não se pode querer aprender tudo o que é passado, como se fosse uma aula particular, mas o mais importante, é a essência do professor, seu estilo, dicas e o que ele pode acrescentar a nossa dança pessoal. E, é claro, ter a oportunidade de conhecer coisas novas, aprender a “mesma coisa” de um novo jeito. Atualizar-se! Tudo isto no Egito está nas ruas, no contato com os músicos, com as crianças no semáforo que cantarolam os sucessos e até nas pirâmides! O cairo é musical!
Toda a cidade vibra! A dança e a música fazem parte da raiz daquele povo e como nós brasileiros (guardadas as diferenças) eles tem o ritmo nas veias. Ir ao Cairo mudou a minha dança! Mudou a minha percepção da música, do ritmo a maneira de sentir e interpretar tudo isso.
Acho que o universo conspirou a meu favor e na realização deste sonho. Acrescentou muitas doses de surpresas e oportunidades extras, que fizeram a diferença nesta viagem.
A primeira surpresa que tive na viagem, foi quando em Amsterdã, durante a escala, encontrei a bailarina Hadia (uma canadense maravilhosa, que fiz curso em São Paulo, em 2001). Ela viajou comigo no vôo para o Cairo e ficamos no mesmo quarto no Hotel. Ela se tornou uma professora particular para me ajudar não só durante as aulas, mas privativamente no quarto, quando fazia minhas anotações e revisava os passos. Além de Ter um show dela particular todos os dias! Deus existe e é bailarina de Dança do Ventre! Nos tornamos grandes amigas e mesmo agora no Brasil continuamos em contato por e-mail.
Preciso falar também da alegria que tive ao encontrar minha professora Lulu Sabongi, com a qual compartilhei muitos cursos e comprovei o que já sabia há muito tempo. Ela é a melhor professora que eu tive no Brasil.
Quando o Festival terminou, o Hotel ficou num silêncio e, surpreendentemente, os homens que faziam plantão nos sofás do hall sumiram. As belly dancers também, tá explicado.
E os passeios? As pirâmides? A história?
O Egito é um livro de história da humanidade viva. Em cada pedra das construções antigas está gravado o nosso passado. Ir ao Egito é mergulhar numa viagem no tempo em pleno século XXI.
Estar nas pirâmides, sentir a grandiosidade da Esfinge, contemplar tudo aquilo ao vivo, caminhar sob o sol escaldante do deserto é uma meditação, um profundo auto-conhecimento, que vale por anos de análise.
É claro que tudo está explorado pelo turismo, onde enquanto aprecia-se as pirâmides milhares de vendedores ambulantes esmeram-se em vender qualquer souvenir sem valor. Sem falar nos camelos. Pobres animais! Seus donos incansáveis em lhes proporcionar o passeio inesquecível. Mas tudo é imperdível, inclusive o passeio de camelo.
Outra atração do Cairo é o Museu. Ali encontram-se todos os restos de uma civilização avançadíssima, ilustrada por seus aspectos culturais, sociais, religiosos, políticos e econômicos. O que mais me fascinou foram as múmias na sala reservada, onde estão preservadas de uma forma impressionante. E também, as jóias dos Faraós na sua grandiosidade, quase inacreditável. Tudo é exuberante! Para uma observação mais profunda é necessário mais de uma visita, pois tamanho é seu acervo. Imperdível!
Das atrações do Cairo, um capítulo à parte é o Kahn el Khalili. O Mercado Khan el Khalili é um conjunto de ruas formando um complexo onde se vende de tudo, ao melhor estilo Árabe.
Mercadorias sofisticadas como jóias, antigüidades, pratarias e cristais convivem lado a lado com todo o tipo de “bugiganga”. Eu me achei no Khan el Khalili, depois de algumas visitas, já transitava familiarizada pelas ruelas cumprimentando seu comerciantes.
Para as bailarinas da Dança do Ventre esse lugar é uma Dysneilândia! Encontra-se tudo para Dança do Ventre. É claro que é preciso conhecer as lojas certas. Eu tive o melhor guia para andar pelo Khan el Khalili e barganhar em árabe pelos melhores preços. Tony é claro! Além dele, fiz amizade com o seu amigo Shafik, um egípcio que tem uma simpática loja de souvenirs no mercado. Shafik é um encanto. Me levou para passear nas melhores lojas de essências de perfume e, ainda, me deu muitos presentes, entre eles uma Ísis.
Enfim, o Khan el Khalili por si só é uma aula do estilo dos egípcios. Eu adorei!
Outro passeio interessante é o tour pelo Nilo, à bordo de um dos muitos barcos que oferecem um pacote de duas horas, incluindo jantar e show. Nós optamos pelo Pharaós, um dos melhores barcos, que fazem tal roteiro. Foi muito interessante e agradável, principalmente porque era meu aniversário. Ali pude sentir a “brisa” do Nilo coroada pela lua cheia. Uma verdadeira noite mágica! Inesquecível!
É claro que precisaria de muitas viagens ao Cairo e demais cidades para conhecer tudo o que essa região maravilhosa tem a oferecer. Mas em 15 dias de viagem em pleno Festival Internacional do Cairo, e numa primeira viagem, a minha prioridade foi mesmo a Dança Oriental Egípcia. Além dos shows do Festival, fomos assistir três apresentações que jamais esquecerei. Entre eles destaco o da minha bailarina preferida Lucy. Esse show para mim valeu a minha ida ao Egito. Ela dançou apenas para nós brasileiros, num episódio quase inédito, pois o Clube Parisiana, onde ela dança estava praticamente vazio por ser domingo (para eles como a nossa segunda-feira). Mas depois de muito sufoco (para saber se ela ia ou não aparecer). Surgiu Lucy. Foi uma noite memorável. Ela não apenas dançou como interagiu conosco. Nos chamou para dançar e ao final do show podemos conversar e fazer aula com ela.
Além desse show, fomos ao Semiremis ver Dina, a top atulamente do Cairo. O público delira com a sua sensualidade. Já eu vibrei com essa oportunidade de vê-la atuando ao vivo, principalmente depois de fazer aula com ela e descobrir alguns de seus segredos.
O último show que vimos foi no Sheraton Cairo com a nossa querida Soraya Zaied, que já sucesso naquele país. Foi emocionante ver a Soraya tão à vontade no palco. Isso serviu de inspiração, pois ela sempre sonhou em dançar no Cairo e vê-la realizando o seu sonho e o de muitas de nós, foi realizá-lo um pouco também. Ela sabia que era meu aniversário e me chamou junto com as demais meninas para subirmos ao palco e dançarmos com ela. Foi um momento muito especial!
Assistir essas bailarinas ao vivo acrescentou muito à minha dança. À partir dessa viagem eu sinto que houve um amadurecimento, pois somente estando no Cairo, vendo ao vivo os shows, caminhando pelos mercados. Enfim, fazer parte por alguns dias deste universo me fez um pouco Egípcia também e acho que já consigo transmitir isso ao dançar.
O Cairo é impressionante à qualquer turista, mas para as amantes da dança oriental essa viagem é uma pós-graduação, que coroa todo o estudo da dança. Uma vez um Egípcio, com quem fiz aula de ritmo (Mahmoud) disse: Uma bailarina só é verdadeiramente uma bailarina depois de ir ao Cairo. Na época eu fiquei muito frustrada com essa alerta, mas agora entendo o que ele queria dizer.
Por isso, eu estou estimulando com a minha vivência a todas que puderem seguir esse conselho de ir ao Egito pelo menos uma vez. Para quem ainda não puder realizar esse sonho, estou aberta a passar minha experiência e o meu aprendizado para contribuir com o desenvolvimento da verdadeira Dança Oriental Egípcia.
















