Dança do Ventre

(Rak’s el Shark’s,Dança do Leste ou

Dança do Oriente):

A origem da dança do ventre é remota, mas diferentes autores afirmam que esta dança surgiu há 7.000 anos a.C, provavelmente no antigo Egito, onde sacerdotisas realizavam rituais de fertilidade, executando movimentos similares aos  conhecidos por Dança do Ventre. O que chamamos hoje de Dança do Ventre é proveniente de um ritual sagrado anterior a mais antiga civilização reconhecida historicamente, a dos sumérios.. Nesta época, a dança tinha uma conotação sagrada e era realizada apenas em templos, exclusivamente entre as mulheres, sem qualquer caráter artístico ou de entretenimento.

As atribuições artísticas só foram agregadas a Dança do Ventre após a invasão árabe ao território egípcio, quando as suas tradições e culturas foram misturadas. A partir daí, a dança foi sendo apresentada em ocasiões solenes nos palácios e se popularizando como espetáculo. As primeiras bailarinas profissionais eram conhecidas por “ghaziya” (plural: ghawazee – ciganas), que eram mulheres exóticas que se enfeitavam ricamente e dançavam nos mercados.

A  Dança do Ventre foi trazida para o Ocidente através dos filmes de Hollywood nos anos 40, quando essa dança passou a ser conhecida por “Belly Dance”. Grandes estrelas do Egito como: Naima Akef, Taheya Karioca, Samia Gamal e Souher Zaki, entre outras se tornaram conhecidas no mundo todo.

Como toda a cultura que ultrapassa suas fronteiras, a Dança do Ventre também foi absorvendo características dos diferentes países em que se desenvolveu. Atualmente, engloba movimentos de várias outras danças, mas mantém algumas características primitivas de sua origem sagrada.

A partir das grandes produções realizadas pelo cinema americano, a Dança do Ventre ficou mais conhecida no Ocidente, embora “maquiada” pelo “glamour” de Hollywood, as odaliscas dos filmes popularizaram esta dança, auxiliando em seu desenvolvimento técnico. Foram as americanas as responsáveis pela introdução do véu como instrumento da dança com técnicas elaboradas,  pois as orientais apenas a utilizavam para entrada e saída de cena. Nas duas primeiras décadas do século XX, a dança era a mais influente de todas as artes no Ocidente. Várias dançarinas americanas se diziam descendentes de árabes para dar maior credibilidade ao seu trabalho”.

No Cairo, todos os anos, acontece um Festival Internacional de Dança do Ventre.  Bailarinas japonesas, espanholas, alemãs, italianas, francesas, canadenses, peruanas, americanas, suecas, mexicanas, irlandesas, entre outras, participam, o que mostra a dimensão da Dança hoje. Mulheres do mundo todo, por diferentes motivos, buscam e encontram na Dança do Ventre um equilíbrio para sua energia feminina, expressando sua força através da delicadeza desta dança.

A Dança do Ventre no Brasil e no Rio Grande do Sul

Esta arte milenar só apareceu (ou se tem registro) no Brasil há aproximadamente 35 anos.

Em fevereiro de 2001, realizou-se em São Paulo, pela bailarina Samira Sâmia, um evento onde foi exposta um pouco dessa trajetória, dando destaque as pioneiras da Dança do Ventre no Brasil. Entre elas Zuleika Pinho, que seria a primeira bailarina de Dança do Ventre no país.

Precursora dessa arte, Zuleika é referência inicial dessa história, tendo aceitado um convite em 1954 do Diretor do Clube Homs, em São Paulo, para se apresentar numa festa. Outros nomes conhecidos fizeram o sucesso, desenvolvendo a Dança do Ventre: Sherazade, Samira Samia e os músicos Mouzayek e Nabil Nage.

Outra referência na Dança do Ventre é o Khan el Khalili, de Jorge Sabongi, em São Paulo, por onde passaram nomes conhecidos de bailarinas e músicos.
Atualmente, o  espaço Shangri-la, também em SP,de Lulu Sabongi, que hoje é um dos melhores lugares para estudar e assistir a Dança do Ventre.

No Rio Grande do Sul, o desenvolvimento da Dança do Ventre é recente, e somente a partir da década de 90 é que surgiram as primeiras professoras e Escolas especializadas em Dança Oriental.

Estilos de Dança

Dentro da classificação Dança do Ventre, incluem-se diferentes estilos, cada um com características, músicas e vestimentas igualmente diferenciadas.

A “Dança Baladi” é um estilo de dança solo popular das mulheres do Cairo e arredores. Sua característica  é a improvisação por parte da bailarina, com movimentos focalizados principalmente nos quadris.  O improviso do baladi tem uma característica famosa e imutável: o taksim (divisão ou improvisação). Pode-se dizer que esta é a mais pura expressão do povo egípcio na dança.

“Raks al Sharqi” ou “Sharqi” é o nome pelo qual a Dança do Ventre é conhecida no Oriente e também internacionalmente.  uma dança híbrida, que deriva do baladi. Conhecida por seu estilo clássico é a mais refinada e sofisticada dança do mundo árabe. O centro deste estilo é muito mais na parte de cima do corpo do que a inferior, diferenciando-se, assim, do baladi.

Os filmes musicais egípcios foram responsáveis pela criação de um novo estilo de dança, chamada “Raks esta’aradi” cuja tradução é “dança-show”. É uma mistura do raks al sharqi com passos trazidos de outros estilos de dança: o balé, a dança afro, a dança cubana e o baile. As bailarinas consagradas nos anos 40 no Egito, como Naima Akef, Samia Gamal e Taheya Karioca são exemplos de bailarinas com essa influência.

Danças do Folclore Árabe

Existem diversas danças dentro do folclore árabe, dentre elas algumas mais conhecidas e populares. As danças folclóricas são caracterizadas por instrumentos melódicos, ritmos, trajes e movimentos específicos”.

A “Tahtieb/Raks Al’assaya” origina-se de uma dança masculina com longos bastões de madeira (Tahteeb), com os quais os homens faziam um duelo em forma de dança. Posteriormente as mulheres passaram a utilizar bengalas de pastoreios e surgiu a Raks Al’lassaya, onde mantiveram alguns traços da dança original masculina. É uma dança proveniente da região Saaid (Alto Egito), realizada ao som do ritmo Saaid. As vestimentas típicas são: vestido, o xale amarrado no quadril e muitas moedas. Sempre utilizando peças rústicas do folclore regional.

Outro estilo, o  “Khalige” é originário dos países do Golfo Pérsico, o seu ritmo é o soudi. O traje característico é a túnica Khalige usada pelas bailarinas em tecido leve e ricamente bordadas. O cabelo é parte importante nesta dança. Os movimentos corporais são simples e sutis, sendo aí que reside toda a sua sensualidade.  O Khalige é uma confraternização, onde as mulheres dançam umas com as outras.

“Dabke” é uma dança nacional do Líbano é apresentada em todo o país por dançarinos que usam tradicional roupa montanhesa. O tema da dança está sempre ligado a vida cotidiana nas aldeias.

A “Milaya Laff” é a dança do xale enrolado de Alexandria. A Milaya é um tipo de véu escuro e pesado que as mulheres no Cairo e na Alexandria adotaram usando-o bem apertado em redor do corpo, fazendo parte da moda local. Na dança passou-se a utilizar esse véu para criar um tipo de dança provocante (por estar ajustado ao corpo). A dança de milaya era um dos itens mais populares no show de Fifi Abdo, uma das estrelas do Egito, porque relembra uma época da história recente do País, quando a economia estava em alta e as mulheres tinham liberdade e flertavam através do uso deste véu. Na dança os movimentos de quadris são evidenciados. O véu por ser pesado muitas vezes é dobrado durante a performance.

Instrumentos Utilizados na Dança

Para compor diferentes coreografias as bailarinas utilizam instrumentos, muitos deles trazidos de danças folclóricas.

É bastante controvertida à origem e o uso da Espada na Dança do Ventre. Pouco usada no Egito (muitos dizem que não existe), é nos países Árabes e no Ocidente que é muito apreciada. A primeira bailarina a exibir-se no Brasil com uma espada foi a americana Thamaly Dallal nos anos 70. Atualmente, a espada é muito usada em shows profissionais, por ser um excelente recurso cênico, trazendo exotismo para a dança.

O Snujs é um instrumento muito utilizado em músicas árabes também tocado pelas bailarinas para acompanhar a dança. Os snujs são “castanholas metalizadas” também conhecidos por saggats ou cimbalos.

O Pandeiro é um instrumento musical usado nos ritmos árabes. O pandeiro ou daff está relacionado com o mais autêntico espírito oriental. “Com o som forte do pandeiro a bailarina deve marcar o ritmo com precisão e graça.

O Punhal é originário das tradições ciganas e incorporado à Dança do Ventre como um instrumento que exalta a força das energias do fogo contida nos movimentos da dança. É preciso que a música, instrumentos e bailarinas estejam em perfeita sintonia para a execução desta dança. O gestual da dança do punhal é rico em simbolismos. As gawazes usavam o punhal como arma para se defender dos perigos e o utilizavam  a dança para passar mensagens umas para as outras.

O Candelabro ou “Racks Al Shamadan”, é originário do folclore Egípcio está relacionada a festividades como: casamentos e batizados. A bailarina nestas festas abre o cortejo com o candelabro aceso na cabeça acompanhada por músicos e cantores.

O Jarro representa a busca pela água. A água tem um valor muito precioso para os povos nômades do deserto. Esta dança também é realizada em festividades como nascimentos. Ocasião em que até hoje o hábito de presentear as mães com uma boneca de barro com um jarro na cabeça, que é um porta velas. Por ser uma dança folclórica, usa-se o vestido comprido, mais místico com adereços ricamente enfeitados de moedas. A música também deve ser alegre e cadenciada. Na ritualística Egípcia, a Dança com o Jarro é realizada pelas sacerdotisas num ritual de purificação.

Outros estilos de Dança do Ventre

Outro estilo de Dança do Ventre é a Dança dos Sete Véus.

O véu na Dança Oriental Egípcia tem uma origem remota, acredita-se que foi introduzido para dar um ar de mistério na entrada da bailarina em cena. Assim como o véu, a dança com mais véus e, principalmente, a famosa Dança dos Sete Véus tem uma história pouco precisa.

Acredita-se que a Dança dos Sete Véus tem origem na parte energética que é enfocada na Dança do Ventre por algumas profissionais, e que cada véu representa um dos sete chackras (palavra em sânscrito que significa centro de energia do corpo) e suas cores estão igualmente associadas a eles.

São sete os principais chackras. Os véus também significam a descida da mulher ao seu mundo interior. São os sete mistérios da Deusa Ísis (a mulher busca os mistérios para se espiritualizar). Através da Dança do Ventre a mulher entra em contato com a sua Deusa interior, localizada no útero. O desvendar dos véus, significa a descoberta dos seus chackras. A colocação dos véus e sua retirada seguem uma ritualística, assim como toda a dança.

Pode-se citar também a Dança Ritualística Egípcia como outro estilo de Dança do Ventre. A dança egípcia era praticada pelas sacerdotisas nos templos do Antigo Egito, em rituais de energia e fertilidade. Seu caráter era espiritual, não existia prática em público, e somente mulheres tinham o conhecimento dos movimentos ritualísticos. As sacerdotisas usavam roupas próprias (saia longa e peito nu – somente com adereços). Dançando nos cultos e rituais de fertilidade, as jovens dos povos mesopotâmicos, e também as indianas e egípcias, se ofertavam como filhas a serviço das suas deusas. Cantar, dançar e rezar não eram atividades separadas.